.posts recentes

. AS CRIANÇAS

. DR. JEKYLL AND MR. HYDE

. A VIDA

. QUE FAZER QUANDO SOMOS PE...

. CONFIDENTES

. LES LIAISONS DANGEREUSE...

. IL GATTOPARDO

. COMMONWEALTH vrs EUROPA

. DO HOLOCAUSTO À EUTANÁ...

. AS JUVENTUDES

.arquivos

. Outubro 2014

. Julho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Fevereiro 2014

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Dezembro 2012

. Abril 2011

. Outubro 2010

. Julho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Janeiro 2008

. Maio 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Outubro 2006

. Setembro 2006

Sábado, 4 de Outubro de 2014
AS CRIANÇAS

Por vezes, quando não nos demos bem com o adulto glorioso que criámos ou moldaram em nós, regressamos - não à inocência da infância porque essa, por mais favorável que seja o clima que a envolva, vai-se perdendo na poluição do mundo - mas à indefesa simplicidade própria das crianças. Isso acontece quando sentimos que esgotámos as nossas capacidades de construir e destruir nos moldes em que sabiamos fazê-lo. Descobrimos que não era sabedoria mas um "savoir faire" que nos ia desimpedindo o caminho. Como quando autoritariamente se diz: "cheguem-se para os lados que vou passar" e logo uma clareira se abrisse à nossa frente.

Um dia, sem saber como, encontramo-nos entre os que abriam automaticamente as alas e reparamos que aquele caminho que se abria para nós não nos pertencia, que o que só esperávamos acontecesse após a nossa ida gloriosa deste mundo, se tinha antecipado sem aviso prévio - para sairmos airosamente... - e que já outros pisavam o "nosso" caminho que muitos se tinham acotovelado para desfrutar.

Aí a vida começa outra vez. Já sem a perdida inocência mas, até por isso, dispondo dos meios de lançar fora tudo o que de maldade, grosseria, astúcia e perversidade se colou ao nosso percurso como adultos. Já não nos julgamos. Apenas queremos recuperar ao limite a pureza perdida. Passa a ser essa a nossa ocupação. E nunca é fácil porque há uma bagagem que parecia estar coloda a nós como se fazendo parte do nosso corpo e sobrecarregando a nossa alma. Mas era apenas bagagem!

Meticulosamente, iniciamos o caminho para a verdadeira liberdade! A liberdade que muitas vezes nos foi impedida em crianças e que agora está ao nosso alcance e que, tal como as crianças, encaramos sem que o medo impeça a aventura. Porque os perigos que já não estão em nós continuam de nós conhecidos para nos alertar com repúdio.

O mundo, NINGUÉM, fará mais de nós o quer que seja! Estamos a aprender a viver! Como as crianças! 

publicado por petitprince às 01:24
link do post | comentar | favorito (1)
Terça-feira, 29 de Julho de 2014
DR. JEKYLL AND MR. HYDE

Não imagino quantas pessoas terão visto "Dr. Jekyll and Mr. Hyde", um filme classificado como um dos mais célebres filmes de terror de uma série que fez sucesso nos anos trinta do século passado e que incluiu filmes como "As Máscaras de Cera", entre outros do mesmo tipo.

O argumento era do escritor Robert L. Stevenson e versava sobre a dupla personalidade de um médico, o Dr. Jekyll, pessoa muito admirada pela sua inteligência e considerada pela sua bondade, que descobre uma droga capaz de lhe dar o poder e o atrevimento para fazer coisas que, não ultrapassando, obviamente, as capacidades humanas, o desinibe moralmente de qualquer obstáculo que limitasse a satisfação dos seus desejos ou o impedisse de qualquer procedimento que atentasse contra a dignidade ou a vida de quem quer que se pusesse no seu caminho.

Pelo meio de tudo isto há um "romance de amor" - se de amor se pode falar no meio de todo aquele enredo diabólico - em que ele, como Hyde, acaba por matar  rapariga objecto do seu amor, que só nesse derradeiro encontro se apercebe que Jekyll e Hyde eram uma e a mesma pessoa, a primeira encarnando o Bem, a segunda o Mal, que conflituam dentro da mesma pessoa, que nessa altura já tinha perdido o controlo da situação. O Mal sobrepõe-se e o doce e afável sorriso de Mr. Jekill e os seus estudados silêncios, somem-se sob o ira descontrolada e sanguinária de Hyde.

Trata-se de um filme horrível, magistralmente interpretado por Frederic March, um dos grandes actores da época que. contráriamente ao que se sabe sobre a vida dele, nada tinha que ver com este tipo de personagens de dupla personalidade, que encarnou  por diversas vezes e de que "Dr. Jekyl e Mr. Hyde" foi o expoente máxino, tendo-lhe mesmo valido um Oscar.

Stevenson, por seu lado, ficou mais conhecido, felizmente, pelos seus livros de viagens do que por esta obra. Tinha nascido numa família de extrema e exigente prática religiosa, tão extrema que o levou para longe da família e, contra a vontade dos pais que o queriam doutor em Leis, formou-se em Engenharia, casou com uma mulher dez anos mais velha, viajou pelo mundo e, por fim, também segundo o uso da época, morreu tuberculoso aos 44 anos.

Na mencionada obra, o testemunho sobre a coexisência do Bem e do Mal no interior do Homem surgiu, talvez pela primeira vez, como a diabólica capacidade de ser o próprio a testar as suas capacidades num e noutro campo, distinguindo-as claramente  e nunca as confundindo. Jekyl é o opositor de Hyde e, nessa luta cuidadosamente vivida e preparada por ele próprio no interior de si mesmo, inclusive na caracterização de cada umas das personagens em que se expõe, ele sabe que, seja qual for o lado em que se coloque será sempre ele o vencedor. Ou ganhará o Bem, Jekyll, ou vencerá Hyde. Por fim, saem ambos derrotados! O Bem não se cumpre, o Mal, exposto como mal, não tira dali qualquer vantagem. Concordemos que se trata de um final de difícil concepção...  Diria mesmo: tanta coisa para NADA!

 

publicado por petitprince às 18:00
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 22 de Julho de 2014
A VIDA

Uma das coisas estimulantes da vida é que não pára de nos surpreender! Umas vezes, para o bem ou para o mal, surpreendemo-nos a nós mesmos, outras surpreendemo-nos como se não fizessemos parte dela e a vissemos do lado de fora, como se estivessemos fora do Tempo, a vê-lo desbobinar-se sem dó nem piedade pelos pobres mortais que só arranjam tempo para descobrirem que não são imortais quando um mal os ataca de frente ou vão fazer um checkup antes de partirem para a viagem da vida deles, e descobrem que estavam enganados, julgando-se com saúde para escalar o Everest, e só  se submetiam aos exames ditos "de rotina" para irem comnpletamente descansados. Pode então acontecer já não se fazer a viagem . Os meios de diagnóstico, investimentos caríssimos e sofisticadíssimos, capazes de descobrirem os mais recônditos problemas mas que evoluem, ao que parece. muito mais rapidamente do que os meios terapeuticos para lhes acudir (que me desculpe o ilustre bastonário da Ordem dos Médicos...) e aí começa-se a olhar de fora para dentro, com a mente empenhada na moderna exigência de que os doentes "devem" assumir a doença e mostrar ao mundo que homem doente é igualzinho a homem com saúde...só que está doente!

Trata-se , quanto a mim, de uma moda relativamente recente ,que tem mais que ver com o culto da imagem do que com a sensibilidade social perante a doença.

Não creio que haja estado de alma que mereça mais o respeito do outro do que essa desfuncionalidade que a doença é.

Respeito pelas dúvidas que suscita, pelo que se abandona antes de terminar, pelo incontável, inenarrável, turbilhão de estados de espírito que suscita. Sinto-me mal quando oiço dizer, à guisa de consolação, às pessoas piedosas e tementes a Deus, que "é a vontade de Deus". "todos devemos estar preparados para isso", "Deus leva primeiro os melhores" e outras frases que, como tantas, se repetem como  contas de rosários.

É óbvio que a doença não existe em desobediência a Deus! São paragens. por vezes bem dolorosas, que Deus impõe nas nossas vidas para nos lembrar que não somos imortais, que tudo o que Ele criou fenece e se renova.

E quantas vezes, naquele invólcro pleno de sensibilidades e sentimentos que somos, o que parece fenecer ou não querer ser vida, ganha dentro de nós um sereno élan, um confidenciar permanente com Deus que, estando atento, não exige nada de nós. Não exige que sejamos fortes, que à nossa volta só se exibam sorrisos dolorosos como lágrimas, que escrevamos livros exemplares - como se todos vívessemos, ou tivessemos obrigação, de viver a doença de forma igual ou sequer parecida! -, que mostremos que a doença nos surpreendeu mas não nos abateu, embora saibamos que isso seja o ideal.

Mas o doloroso erguer é um tempo feito de vários tempos díspares em que a Esperança alterna com o desânimo que o cansaço provoca. No princípio. quando o estado do doente ainda não se afastou muito do nosso, podemos sugerir-lhe que matenha o seu ritmo de vida. Mas só por muito pouco tempo!

A doença grave, passageira ou mortal, é o estado mais íntimo que o ser humano necessita ver respeitado. É um diálogo permanente entre ele e o Criador que quer ver respeitado o lugar onde ambos se identificam na oportunidade que foi a vida e no acolhimento que representam quer a cura, quer a morte.

Ninguém é o mesmo depois de ter passado por certos acontecimentos com que a vida nos surpreende. Mas nada merece tanto respeito como alguém que acarta num corpo dolorido um turbilhão de sentimentos que não sabe nem acha que valha a pena exprimir - quem compreenderia! - e que é forçado, mais por esta moda estúpida que se criou de fazer deles figuras exemplares - como só  isso seja do agrado de Deus...-  de os vermos como heróis combatentes de uma guerra que desconhecemos.

Creio, porque era o que gostaria para mim, que nada favorece mais o bom desenrolar de um mau estado de saúde do que a paz. a frescura carinhosa da mão que se estende mas não prende, o sorriso passageiro que não ultrapasse o que desejamos nos seja retribuido, as pausas controladas que só o próprio conhece, o ajoelhar, não de quem reza mas de quem, em nome do mundo, tudo perdoa. O colo que recebemos ao nascer! E sermos capazes de com eles esquecermos o tempo. o tempo que a doença preenche com medicação, fisio ou quimio terapias, as descofortáveis horas de espera em que, no meio de muitos, cada um de nós é o mais só dos mortais .E que Deus, que nunca nos abandona, nos vá ensinando como fazê-lo. Porque, na verdade,  só Ele o sabe... 

sinto-me: grata pela saúde que tenho!
música: "What a beautifull world!" I had the opportunity to live in
publicado por petitprince às 02:00
link do post | comentar | favorito (1)
Segunda-feira, 14 de Julho de 2014
QUE FAZER QUANDO SOMOS PERSEGUIDOS POR UM LOUCO? - portugalingovernavel

QUE FAZER QUANDO SOMOS PERSEGUIDOS POR UM LOUCO? - portugalingovernavel

publicado por petitprince às 22:29
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 27 de Maio de 2014
CONFIDENTES

Não há como um confidente para destruir o charme das nossas loucuras e dos nossos segredos! Coisas de que eles, de tão normais e calculistas, jamais seriam capazes. Por mais simples e inocentes que sejam, nas suas caras sérias de tumbas aparecerá sempre um sinal de reprovação, um alerta de perigo ou de pecado. 

Porém, pior do que isso é que dias depois, do sapateiro ao enfermeiro, todos têm uma ténue imagem do risco de que nos livraram, tão ténue que é visto e revelado como fotografia em alta definição.

São eles que contam dos lustres que vendemos e não nos pertenciam, dos azulejos de que desfizemos o património, das generosidades e atrevimentos de que nos quiseram livrar, mesmo quando acabavam servindo-se delas. Mesmo quando nos devem tudo têm a habilidade de nos fazer crer que sem eles já nos teriamos perdido. É por eles que sempre se sabe tudo. Porque estamos desprevenidos e eles apresentam-se com uma casuítica muito própria. Criam-nos receios, mesmo quando já somos suficientemente velhos para pensar sozinhos, porque assentámos ali a nossa confiança e são uma espécie de alter ego. Até que tenhamos a coragem de nos emanciparmos deles que, generosamente, nos salvam.

É de confidências que os tribunais estão cheios. São elas que servem de alimento aos "ruídos" da comunicação social quando há que escolher entre um bom amigo e uma má reputação. E estamos ali, nós, desprotegidos, soltos, como se dali não pudesse vir mal...

publicado por petitprince às 01:42
link do post | comentar | favorito
Domingo, 25 de Maio de 2014
LES LIAISONS DANGEREUSES

Escrever é um enorme risco! Não o escrever notícias, artigos ou romances. Escrever cartas! A literatura epistolar é não só extremamente pessoal como extremamente cúmplice. Do outro lado, perscrutando a intimidade de quem escreve, tanto pode estar o leitor eleito como um grupo de estudiosos prontos a encontrar intencionalidades ou analisar personalidades. Escrever tanto pode ser um acto de confiança como um acto de irresponsabilidade.

A maioria das pessoas prudentes, as que recusam assumir riscos - embora por vezes assumam riscos incomensuravelmente maiores em outros actos - não escrevem, ou fazem-no sem se denunciarem, através de códigos de escrita sem dono e sem destinatário.

Dizia Pessoa - de quem aprecio alguma poesia mas que me enfada como a pessoa que se descortina depois no "Livro do Desassossego" -  que "as cartas de amor são sempre ridículas". Eram-no especialmente para ele que as escrevia por tédio como, aliás, fazia tudo. As "boas" cartas de amor são aquelas que contam coisas, que são memórias ou diários de vida entre gente que se quer bem e que se entende. Cartas que nos fazem rir, chorar, que nos irritam, que nos desgostam, que perdoamos, que aguardamos, que temos urgência em ver chegar e em responder. As outras, as que surgem como xaradas que há que subentender, que podem ter interpretações diversas, conduzem a jogos extremamente perigosos, ainda quando calculados.  

Choderlos de Laclos, em "As Ligações Perigosas", mostra até que ponto o jogo pode ser estimulante e poderoso. Basta que haja um terceiro - no caso, três é multidão- para que se urda uma imensa teia de divagações de conteúdo.

Contudo, "viver é risco" e escrever para quem não inspira confiança pode ser igualmente estimulante para ambos os lados.  

Um jogo do espírito que se prolonga sem que haja vencedor ou vencido. Que nem sequer interfere com sentimentos. Não mais do que um modo de viver uma relação que, como as crianças, desejamos ver como funciona. 

publicado por petitprince às 23:05
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 13 de Maio de 2014
IL GATTOPARDO

Dei com um blog super divertido! Há pessoas que conseguem estar em toda a parte. Até mesmo onde devem estar! 

 

O dito blogg trouxe-me à lembrança "o Leopardo", o belíssimo filme de Visconti sobre o fim de uma época e o olhar de um nobre siciliano que contempla com a atenta sensibilidade o ruir de um mundo que se povoa de aventureiros e arrivistas prontos a dominar o futuro... que acabaram dominando definitivamente.

A história passa-se na Sicilia, em Lampedusa, a ilha hoje conhecida como ponto de entrada de imigrantes que rumam à Europa. 

O pó dos tempos que se acumulava no velho palácio, a poeira que cavalos e carruagens deixavam no ar, a secura e rigidez dos usos, o  prazer furtivo da prevaricação, as suaves passadas de Don Fabricio e o seu olhar de prisioneiro perdido entre a dimensão do passado e a urgência do futuro, tudo isso um vento forte apagou da ilha onde a miséria se instala ameaçadora. E toda a história da Europa parece caber ali. Como uma ameaça.

publicado por petitprince às 21:30
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 16 de Abril de 2014
COMMONWEALTH vrs EUROPA

A Inglaterra, que ganhou consciência do seu lugar no mundo na época vitoriana, quando o sol nunca se punha sobre o império britânico, nunca deixa o seu crédito por mãos alheias.

Qualquer que seja a crise, a Commonwealth é de imediato alertada para as potencialidades desse império que se continua na Língua e na cultura britânicas e se fortalece e enriquece numa teia diplomática que só mesmo os ingleses dominam.

É curioso notar como perante a desastrada queda dos dollars a libra tem mantido a sua supremacia em relação ao euro!

Com um pé na Europa, o "coração" espalhado pelo mundo, e o não despiciendo dever de gratidão da alta finança apatrida, a Inglaterra consegue, numa época que parece convocada para a destruição e avessa a tradicionalismos, manter coesa à volta de Sua Majestade a Rainha uma unidade em que o pragmatismo ultrapassa antigos ressentimentos.

 

Com o seu inegualável sentido mundo e das suas circunstâncias, a Inglaterra, a democrática Inglaterra, sabe sempre o que lhe convém a si e aos membros da sua extensa comunidade.

Enquanto a Europa (de que faz parte às vezes...) se autopune de toda a espécie de torpezas cometidas no passado e no presente, e se afoga em miragens de salvíficas, guiada por eventuais timoneiros e  por uma irreprimível tendência para a desagragação, a diplomacia britânica exibe ao mundo o seu bom entendimento com a Escócia e a Irlanda, a Raínha e restantes membros da Família Real visitam os países membros da Commonwealth e, "last but not the least", procede-se a uma espécie de inquérito intercomunitário visando conhecer e decerto avivar o sentido de pertença que essas comunidades revelam relativamente à Commonwealth.

Tudo isto é sublimemente vivido nos grandes cerimoniais da corte, na partilha que através da comunicação social o mundo vive os acontecimentos familiares dos personagens reais. O mesmo se passa com a Igreja Anglicana, exibindo a ricos e pobres a grandiosidade que acha ser devida quando a Deus se dirige, sem que por isso deixe de ter imensas obras caritativas. Mas é um mundo onde tudo, bem e mal, é elegantemente discreto. 

Com todos os defeitos que lhe possamos apontar, a Inglaterra foi um colonizador ímpar e como tal reconhecido pelos povos dos territórios  que dominou, criando laços de dependência e riqueza que persistem. O inverso do que aconteceu com o império português em tudo foi desperdiçado, desde a iniciativa e os trabalhos dos que de um ou outro modo se empenharam na sua construção, até à precipitada descolonização que sacrificou os milhares de famílias a deixarem para trás as suas vidas para "retornarem" a uma metrópole onde muitos deles nunca tinha estado, que deixou que o sangue e a fúria se espalhassem  ao sabor do caos, nos territórios precipitadamente abandonados, que obrigou um pequeno país a integrar uma multidão de pessoas espoliadas que tiveram que recomeçar as suas vidas. Muito daquilo de que nos queixamos hoje, uns e outros, começou aí.

 

Os ingleses não precisam da Europa. Têm um pé em Gibraltar e, apesar de tudo, uma afinidade histórica com a Grécia que lhes garante vigilância atlântica.

Enquanto a Europa caminha sombriamente para um destino incerto, a Inglaterra partilha e celebra a sua grandeza.  

 

publicado por petitprince às 00:06
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2014
DO HOLOCAUSTO À EUTANÁSIA

Quando pensamos em "holocausto" vêm-nos de imediato à memória aquelas imagens horríveis que Eisenhower fez fotografar para que ficassem como imagem e testemunho dos horrores a que podia ser levado o poder selvagem. O conceito remonta à Antiguidade, embora referindo-se  à destruição pelo fogo visto não existirem câmaras de gás. Herodoto, nas suas Estórias, refere vários casos assaz arripiantes.

 

O retomar da prática em pleno século vinte é selvaticamente assustador pelo que tem merecido da parte do povo atingido, tal como por toda a comunidade humana, a maior repulsa e uma insistente rememorização.

Contudo não podemos ignorar que muitos outros holocaustos tiveram e estão tendo lugar sem que tenhamos tempo de fixar as notícias e imagens que nos chegam, devido à celeridade de reposição da informação.

 

Que dizer do que se passa hoje no Médio Oriente ou na R.C.Africana?

 

Só que não se trata do cometimento de acções rigorosamente planeadas e atribuidas a um rosto ou a um sistema, mas de selváticas acções religiosas ou contra-revolucionárias.

Curiosamente as pacíficas instituições saídas do rescaldo das duas grandes guerras do século passado não só se mostram impotentes para evitar tais barbaridades, como nem sequer parecem interessados em procurar os que alimentam os conflitos, quer através do fornecimento de armamento, quer através da infiltração de agentes promotores dos conflitos. 

Mais grave ainda, o facto de o mundo parecer estar a viver um holocausto a fogo lento que tende não só a acabar com uma civilização e os seus mais sagrados valores como com a sua população.

 

Como classificar um processo eliminatório que destrói padrões culturais através da disseminação de programas de entretenimento em que o terror, a sanguinolencia e as práticas sexuais mais grosseiras são temas de excelência? Não será isto um holocausto cultural?

Como consequência deste discreto e insidioso processo, os noticiários - que parecem ter a mesma origem dos programas de entretenimento - relatam-nos "novidades" tendentes a preparar-nos para aceitarmos de bom  grado a nossa própria destruição.

O "avanço" do momento é o alargamento da prática da eutanásia.

Que diferença existirá entre isto o "ideal" hitleriano de eliminar tudo o que não coubesse num determinado âmbito de raça perfeita?

 

Também a demografia europeia se resente com as diversas variantes redutivas da propagação da raça através de invenções que vão desde a invenção da pilula - não conheço o nome do inventor nem sei quem financiou o invento mas foi a bomba atómica das demografias - ; da generosa distribuição de perservativos; da aprovação e assemtimento do aborto; da legalização e defesa das práticas homosexuais - sempre existiram sem que para tal precisassem de consentimento...- que devido à pretensa recusa da petite difference não produzem natalidade: até à actual pretensão do alargamento da eutanásia a crianças consideradas deficientes ou em situação terminal. Custa crer que alguns pais venham alguma vez a usar tal facilitismo. Contudo, no mundo louco em que vivemos poucas coisas nos surpreenderão.

 

Surpreendentemente mesmo é esta anestesia diabolicamente servida através dos mais "inocentes" e apelativos meios - da televisão aos jogos computurizados, em que quem mais matar mais ganha - que vem conseguindo transformar-nos em autómatos, espectadores da extinção de uma civilização cristamente construida e em risco de extinção através da atração das arquiteturas financeiras do dinheiro, dos nossos desleixos, ingenuidades e cobardias que permitem que eternas vítimas assumam o papel de algozes com o benefício do nosso aplauso?

 

A continuar assim  que restará de nós como povo estabilizados na sua cultura, nas suas fronteiras e na sua história?

 

Que restará de nós como Pátria? Que restará da própria Europa como mãe que foi de toda uma civilização? 

publicado por petitprince às 19:46
link do post | comentar | favorito
Sábado, 1 de Fevereiro de 2014
AS JUVENTUDES

Com a "globalização", conceito onde tudo se confunde, surgiram duas tendências que, diga-se, têm o cunho inspirador da revolução francesa: a tendência social para a generalização e a tendência política para a conceptualização. A primeira querendo dizer que todos desejamos as mesmas coisas; a segunda atribuindo a cada uma um conteúdo que os "iluminados"definem e exibem perante as massas como bandeiras para a persecussão dos seus objetivos.

 

Poucas coisas me irritam tanto como ouvir um político, seja ele qual for, utilizar a formula "os portugueses" para expressar uma ideia que é a dele ou a de qualquer percentagem mais ou menos modesta dos que votaram nele ou no partido que representa.

Qualquer um, desde que para tal tenha sido nomeado, pode em determinadas circunstâncias representar um Povo. Mas ninguém pode honestamente - se tal ainda tem alguma importância...-falar em seu nome.

Talvez as "massas" não se importem - são na maioria acéfalas, como convém, e contentam-se com uns passeios de camioneta e uns bonés e "tixertes" (lembrarmo-nos nós que atribuiam esse procedimento censurável às manifestações do Estado Novo...) - mas muitos de nós sentem vergonha e revolta por serem assim arrebanhados sem consentimento prévio.

Custa-me ouvir o constrangedor líder socialista incluir-me nos seus pensamentos (!?), tal como me aborrece ouvir uma "menina pescadinha" ou um velhote careca e desdentado do BE arrebanhar-me para os seus repetitivos e sempre bem intecionados propósitos, ou uma daquelas arrebatadas deputadas que parecem ressuscitadas de gravuras da tomada da Bastilha, gritar e esbracejar em meu nome.  Talvez por eu não ser de esquerda e achar tão abusivo meterem-me nesses âmbitos ideológicos como me enfurece pensar que por não pensar como eles não sou português. É duro!

 

No momento presente assistimos a duas generalizações - entre outras... - que fazem parte de todo e qualquer discurso: a velhice e a juventude.

 Ambas resultam de critérios assaz voláteis, que se prendem com a idade da reforma (onde se incluem muitos ainda algo jovens, como é o caso, entre outros , da presidente da AR...) ,ou com um período que vai da adolescência aos trinta, idade em que os muito bem classificados iniciam as suas vidas profissionais , em que outros - se  tiverem a sorte de arranjar emprego - assentam numa profissão, e outros, pouco dados a monotonias, furam pela vida como testas de ferro de sabidos e bem colocados gerontes que têm as cabeças cheias de ideias  mas estão demasiado ocupados ou são por demais conhecidos para irem além de um ou outro comentário televisivo.

 

A verdade é que - tal como não há uma velhice - não há UMA JUVENTUDE. Existem várias juventudes e englobar todas num mesmo conceito é pecaminoso para quem o faz e ofensivo para as convicções dos visados.

 

A verdadeira Juventude - aquela que os nossos avós educavam para a Esperança, para o serviço à Pátria, para a continuidade da Família, herdeira da que emigrara ainda criança para o Brasil ou para África, que por lá andara até que regressasse para melhorar o seu país ou a sua aldeia, que reabilitara patrimónios através do casamento e proporcionara aos filhos esmerada educação - esvaiu-se nos ideais da "ética republicana". A esperança tornou-se imediata, a pátria um anacronismo dificilmente compreensível na unificação dos objetivos internacionais ( ainda assim reconhecendo as nações...), a família um desafio que obriga a conciliar uma série de variáveis não negligenciáveis segundo os atuais padrões.

 

Acresce que a dispersão social gerada pelos poderes quer pela política, quer pela profissionalização do desporto - que poderiam ser formas intelectual e fisicamente saudáveis de convívio -  surgem hoje como ferozes e incontroláveis antagonismos onde a política, na sua pior e mais mesquinha expressão, surge frequentemente associada aos clubes desportivos, criando "casos" em que as juventudes participam de formas irracionais ou mesmo  selvagens.

 

O fenómeno, como não podia deixar de ser, enquistou-se numa juventude estudantil, muitas vezes mais interessada no estatuto do que no estudo.

O que aconteceu no Meco  - que, diga-se, não tem que ver com praxes mas com quem as protagoniza - não foi em vão.

Com esse triste acontecimento o país foi obrigado a interrogar-se sobre o que é possível passar-se nas universidades. Ficámos a saber que o aluno que se matricule mais vezes - leia-se: que leve dez anos a fazer um curso de cinco, mas que por lá vá adquirindo qualidades de liderança não despiciendas para as juventudes partidárias - tem como prémio tornar-se  um líder todo poderoso a quem outros jovens, também eles universitários, obedecem cegamente.

Perguntamo-nos: que gente é esta que ingressa nas nossas universidades e sai de lá com um canudo que, com a little help from the friends,  lhe poderá dar acesso a uma bolsa que, se nas boas graças dos "barões" ou "viscondes" dos partidos, os guindará até à governança do país, munidos de falsos certificados que nós pagámos, pagamos ou pagaremos. 

 

A verdade é que, por ambição, por inércia, por escassez de tempo, estamos a consentir que se apossem dos nossos filhos e os transformem em criaturas violentas ou amorfas, que não sabem distinguir o que é bem e o que é mal.

 

Pior do que uma juventude imoral - como terá sido a juventude vitoriana - são estas juventudes amorais, cujo vazio se vai gradualmente disponibilizando para a aceitação do que quer que seja que uma criatividade doentia lhes dite ou que alguém lhes  proponha.

 

Os Gregos, na sua pura racionalidade, não contaminada por qualquer romantismo, consideravam como imperdoável o mal resultante da ignorância, o mal cujo objetivo único residia na sua prática. É disso que temos notícias todos os dias, vindas de todas as partes do mundo.

 

Felizmente, todos conhecemos jovens que não são assim! Jovens não tiranos ou servis, com consciências sólidas e mentes inteligentes.

 

A Igreja poderá - e deverá! - ter nisto um papel de extrema importância.

 

Para tanto é preciso que não se torne em quebra-cabeças para si própria, que  se assuma numa fé coesa, que se exprima num ambiente conciliatório em que, mais do que as vitórias do ecumenismo, se afirme o valor da consciência moral.

Uma Igreja dividida por antagonismos e recriminações dificilmente sairá vitoriosa face às varias organizações cuja coesão - alimentada por valores bem mais terrenos e efémeros mas habilmente sedutores - os atrai até à disponibilidade total, porque nada existe nas suas consciências que os interrogue.

 

  

publicado por petitprince às 20:20
link do post | comentar | favorito
.mais sobre mim
.pesquisar
 
.Outubro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
.tags

. todas as tags

.favorito

. A POLÍTICA E A VIDA

. HOW IMPORTANT IT'S THE ...

blogs SAPO
.subscrever feeds