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Terça-feira, 13 de Julho de 2010
A INTRANSPONÍVEL MURALHA

A Política portuguesa confronta-se com uma ameaçadoramente intransponível muralha geracional, um esquadrão de individuos que assentaram praça na política após o 25 de Abril e de moto próprio se constituiram como a elite a quem cabe governar o País.

 

Curiosamente, apesar dos pouco brilhantes resultados em que se diluiram centenas de toneladas de ouro, se escavacou a Agricultura e a Indústria, se abandalhou o Património, se auto-enriqueceram animadamente algumas luminárias e seus apaniguados, ELES aí continuam, umas vezes no palco outras vezes submersos em nebulosas tarefas, outras emergindo oportunamente para assegurar com o seu apoio que mude apenas o suficiente para que tudo fique na mesma.

 

A alguns já nos habituámos de tal modo a vê-los que é como se fizessem parte da família! A maior parte datam do curto mas profícuo consulado de Balsemão que, diga-se, muito tem contribuido com o seu apoio para os manter vivos na nossa memória. Outros há que são já reliquias do dealbar da democracia. Como gostamos de os ver, mesmo envelhecidos e tudo! E como nos são familiares os Amaral. os Horta, os Valente, os Roseta. os Soares, os Jerónimos e tantos os outros a que os nossos ouvidos se acostumaram ao longo de quatro décadas!

 

Porém, para os mais novos, para aqueles que procuram na Política uma oportunidade de contribuirem para um futuro que lhes pertence, essa densa muralha é um empecilho. Só fazem aquilo que sabem fazer - mal, como os resultados provam...- mas grudaram-se de tal forma à ideia de que o Estado são ELES, que ao primeiro sinal de ameaça saem das tocas como grilos.

 

E como estão velhos! E como estamos cansados de os ver e ouvir! Até o Honório Novo está velho!

 

Freitas, um sempre disponível apoiante de alguém, reapareceu! Prazer em vê-lo, Professor!

Sampaio fez também a sua reaparição de uma forma curiosa e original: apoia Alegre mas acha que Cavaco é o indicado... Agradecido, ele decerto os apoiará numa eventual futura candidatura. Nunca serão suficientemente idosos.

 

Muito esforço terão que desenvolver os mais novos se não estiverem dispostos a venderem-se à solidariedade geracional que une tais vitalícias personalidades!

 

O problema de Socrates não reside apenas na discutibilidade das suas decisões. O seu maior problema é não ter pelo menos sessenta anos! Se tivesse setenta melhor ainda! Era dos d'ELES! E o mesmo se evidencia já em relação a Passos Coelho. Temos sempre a sensação de que há alguém a proteger a retaguarda. Mesmo pondo de parte as categóricas asserções do chamado "Amendoin Falante"...

 

 

 

 

sinto-me: FARTO!
publicado por petitprince às 16:14
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