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Sábado, 4 de Outubro de 2014
AS CRIANÇAS

Por vezes, quando não nos demos bem com o adulto glorioso que criámos ou moldaram em nós, regressamos - não à inocência da infância porque essa, por mais favorável que seja o clima que a envolva, vai-se perdendo na poluição do mundo - mas à indefesa simplicidade própria das crianças. Isso acontece quando sentimos que esgotámos as nossas capacidades de construir e destruir nos moldes em que sabiamos fazê-lo. Descobrimos que não era sabedoria mas um "savoir faire" que nos ia desimpedindo o caminho. Como quando autoritariamente se diz: "cheguem-se para os lados que vou passar" e logo uma clareira se abrisse à nossa frente.

Um dia, sem saber como, encontramo-nos entre os que abriam automaticamente as alas e reparamos que aquele caminho que se abria para nós não nos pertencia, que o que só esperávamos acontecesse após a nossa ida gloriosa deste mundo, se tinha antecipado sem aviso prévio - para sairmos airosamente... - e que já outros pisavam o "nosso" caminho que muitos se tinham acotovelado para desfrutar.

Aí a vida começa outra vez. Já sem a perdida inocência mas, até por isso, dispondo dos meios de lançar fora tudo o que de maldade, grosseria, astúcia e perversidade se colou ao nosso percurso como adultos. Já não nos julgamos. Apenas queremos recuperar ao limite a pureza perdida. Passa a ser essa a nossa ocupação. E nunca é fácil porque há uma bagagem que parecia estar coloda a nós como se fazendo parte do nosso corpo e sobrecarregando a nossa alma. Mas era apenas bagagem!

Meticulosamente, iniciamos o caminho para a verdadeira liberdade! A liberdade que muitas vezes nos foi impedida em crianças e que agora está ao nosso alcance e que, tal como as crianças, encaramos sem que o medo impeça a aventura. Porque os perigos que já não estão em nós continuam de nós conhecidos para nos alertar com repúdio.

O mundo, NINGUÉM, fará mais de nós o quer que seja! Estamos a aprender a viver! Como as crianças! 

publicado por petitprince às 01:24
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Terça-feira, 22 de Julho de 2014
A VIDA

Uma das coisas estimulantes da vida é que não pára de nos surpreender! Umas vezes, para o bem ou para o mal, surpreendemo-nos a nós mesmos, outras surpreendemo-nos como se não fizessemos parte dela e a vissemos do lado de fora, como se estivessemos fora do Tempo, a vê-lo desbobinar-se sem dó nem piedade pelos pobres mortais que só arranjam tempo para descobrirem que não são imortais quando um mal os ataca de frente ou vão fazer um checkup antes de partirem para a viagem da vida deles, e descobrem que estavam enganados, julgando-se com saúde para escalar o Everest, e só  se submetiam aos exames ditos "de rotina" para irem comnpletamente descansados. Pode então acontecer já não se fazer a viagem . Os meios de diagnóstico, investimentos caríssimos e sofisticadíssimos, capazes de descobrirem os mais recônditos problemas mas que evoluem, ao que parece. muito mais rapidamente do que os meios terapeuticos para lhes acudir (que me desculpe o ilustre bastonário da Ordem dos Médicos...) e aí começa-se a olhar de fora para dentro, com a mente empenhada na moderna exigência de que os doentes "devem" assumir a doença e mostrar ao mundo que homem doente é igualzinho a homem com saúde...só que está doente!

Trata-se , quanto a mim, de uma moda relativamente recente ,que tem mais que ver com o culto da imagem do que com a sensibilidade social perante a doença.

Não creio que haja estado de alma que mereça mais o respeito do outro do que essa desfuncionalidade que a doença é.

Respeito pelas dúvidas que suscita, pelo que se abandona antes de terminar, pelo incontável, inenarrável, turbilhão de estados de espírito que suscita. Sinto-me mal quando oiço dizer, à guisa de consolação, às pessoas piedosas e tementes a Deus, que "é a vontade de Deus". "todos devemos estar preparados para isso", "Deus leva primeiro os melhores" e outras frases que, como tantas, se repetem como  contas de rosários.

É óbvio que a doença não existe em desobediência a Deus! São paragens. por vezes bem dolorosas, que Deus impõe nas nossas vidas para nos lembrar que não somos imortais, que tudo o que Ele criou fenece e se renova.

E quantas vezes, naquele invólcro pleno de sensibilidades e sentimentos que somos, o que parece fenecer ou não querer ser vida, ganha dentro de nós um sereno élan, um confidenciar permanente com Deus que, estando atento, não exige nada de nós. Não exige que sejamos fortes, que à nossa volta só se exibam sorrisos dolorosos como lágrimas, que escrevamos livros exemplares - como se todos vívessemos, ou tivessemos obrigação, de viver a doença de forma igual ou sequer parecida! -, que mostremos que a doença nos surpreendeu mas não nos abateu, embora saibamos que isso seja o ideal.

Mas o doloroso erguer é um tempo feito de vários tempos díspares em que a Esperança alterna com o desânimo que o cansaço provoca. No princípio. quando o estado do doente ainda não se afastou muito do nosso, podemos sugerir-lhe que matenha o seu ritmo de vida. Mas só por muito pouco tempo!

A doença grave, passageira ou mortal, é o estado mais íntimo que o ser humano necessita ver respeitado. É um diálogo permanente entre ele e o Criador que quer ver respeitado o lugar onde ambos se identificam na oportunidade que foi a vida e no acolhimento que representam quer a cura, quer a morte.

Ninguém é o mesmo depois de ter passado por certos acontecimentos com que a vida nos surpreende. Mas nada merece tanto respeito como alguém que acarta num corpo dolorido um turbilhão de sentimentos que não sabe nem acha que valha a pena exprimir - quem compreenderia! - e que é forçado, mais por esta moda estúpida que se criou de fazer deles figuras exemplares - como só  isso seja do agrado de Deus...-  de os vermos como heróis combatentes de uma guerra que desconhecemos.

Creio, porque era o que gostaria para mim, que nada favorece mais o bom desenrolar de um mau estado de saúde do que a paz. a frescura carinhosa da mão que se estende mas não prende, o sorriso passageiro que não ultrapasse o que desejamos nos seja retribuido, as pausas controladas que só o próprio conhece, o ajoelhar, não de quem reza mas de quem, em nome do mundo, tudo perdoa. O colo que recebemos ao nascer! E sermos capazes de com eles esquecermos o tempo. o tempo que a doença preenche com medicação, fisio ou quimio terapias, as descofortáveis horas de espera em que, no meio de muitos, cada um de nós é o mais só dos mortais .E que Deus, que nunca nos abandona, nos vá ensinando como fazê-lo. Porque, na verdade,  só Ele o sabe... 

sinto-me: grata pela saúde que tenho!
música: "What a beautifull world!" I had the opportunity to live in
publicado por petitprince às 02:00
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Terça-feira, 13 de Maio de 2014
IL GATTOPARDO

Dei com um blog super divertido! Há pessoas que conseguem estar em toda a parte. Até mesmo onde devem estar! 

 

O dito blogg trouxe-me à lembrança "o Leopardo", o belíssimo filme de Visconti sobre o fim de uma época e o olhar de um nobre siciliano que contempla com a atenta sensibilidade o ruir de um mundo que se povoa de aventureiros e arrivistas prontos a dominar o futuro... que acabaram dominando definitivamente.

A história passa-se na Sicilia, em Lampedusa, a ilha hoje conhecida como ponto de entrada de imigrantes que rumam à Europa. 

O pó dos tempos que se acumulava no velho palácio, a poeira que cavalos e carruagens deixavam no ar, a secura e rigidez dos usos, o  prazer furtivo da prevaricação, as suaves passadas de Don Fabricio e o seu olhar de prisioneiro perdido entre a dimensão do passado e a urgência do futuro, tudo isso um vento forte apagou da ilha onde a miséria se instala ameaçadora. E toda a história da Europa parece caber ali. Como uma ameaça.

publicado por petitprince às 21:30
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Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2014
DO HOLOCAUSTO À EUTANÁSIA

Quando pensamos em "holocausto" vêm-nos de imediato à memória aquelas imagens horríveis que Eisenhower fez fotografar para que ficassem como imagem e testemunho dos horrores a que podia ser levado o poder selvagem. O conceito remonta à Antiguidade, embora referindo-se  à destruição pelo fogo visto não existirem câmaras de gás. Herodoto, nas suas Estórias, refere vários casos assaz arripiantes.

 

O retomar da prática em pleno século vinte é selvaticamente assustador pelo que tem merecido da parte do povo atingido, tal como por toda a comunidade humana, a maior repulsa e uma insistente rememorização.

Contudo não podemos ignorar que muitos outros holocaustos tiveram e estão tendo lugar sem que tenhamos tempo de fixar as notícias e imagens que nos chegam, devido à celeridade de reposição da informação.

 

Que dizer do que se passa hoje no Médio Oriente ou na R.C.Africana?

 

Só que não se trata do cometimento de acções rigorosamente planeadas e atribuidas a um rosto ou a um sistema, mas de selváticas acções religiosas ou contra-revolucionárias.

Curiosamente as pacíficas instituições saídas do rescaldo das duas grandes guerras do século passado não só se mostram impotentes para evitar tais barbaridades, como nem sequer parecem interessados em procurar os que alimentam os conflitos, quer através do fornecimento de armamento, quer através da infiltração de agentes promotores dos conflitos. 

Mais grave ainda, o facto de o mundo parecer estar a viver um holocausto a fogo lento que tende não só a acabar com uma civilização e os seus mais sagrados valores como com a sua população.

 

Como classificar um processo eliminatório que destrói padrões culturais através da disseminação de programas de entretenimento em que o terror, a sanguinolencia e as práticas sexuais mais grosseiras são temas de excelência? Não será isto um holocausto cultural?

Como consequência deste discreto e insidioso processo, os noticiários - que parecem ter a mesma origem dos programas de entretenimento - relatam-nos "novidades" tendentes a preparar-nos para aceitarmos de bom  grado a nossa própria destruição.

O "avanço" do momento é o alargamento da prática da eutanásia.

Que diferença existirá entre isto o "ideal" hitleriano de eliminar tudo o que não coubesse num determinado âmbito de raça perfeita?

 

Também a demografia europeia se resente com as diversas variantes redutivas da propagação da raça através de invenções que vão desde a invenção da pilula - não conheço o nome do inventor nem sei quem financiou o invento mas foi a bomba atómica das demografias - ; da generosa distribuição de perservativos; da aprovação e assemtimento do aborto; da legalização e defesa das práticas homosexuais - sempre existiram sem que para tal precisassem de consentimento...- que devido à pretensa recusa da petite difference não produzem natalidade: até à actual pretensão do alargamento da eutanásia a crianças consideradas deficientes ou em situação terminal. Custa crer que alguns pais venham alguma vez a usar tal facilitismo. Contudo, no mundo louco em que vivemos poucas coisas nos surpreenderão.

 

Surpreendentemente mesmo é esta anestesia diabolicamente servida através dos mais "inocentes" e apelativos meios - da televisão aos jogos computurizados, em que quem mais matar mais ganha - que vem conseguindo transformar-nos em autómatos, espectadores da extinção de uma civilização cristamente construida e em risco de extinção através da atração das arquiteturas financeiras do dinheiro, dos nossos desleixos, ingenuidades e cobardias que permitem que eternas vítimas assumam o papel de algozes com o benefício do nosso aplauso?

 

A continuar assim  que restará de nós como povo estabilizados na sua cultura, nas suas fronteiras e na sua história?

 

Que restará de nós como Pátria? Que restará da própria Europa como mãe que foi de toda uma civilização? 

publicado por petitprince às 19:46
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Sábado, 1 de Fevereiro de 2014
AS JUVENTUDES

Com a "globalização", conceito onde tudo se confunde, surgiram duas tendências que, diga-se, têm o cunho inspirador da revolução francesa: a tendência social para a generalização e a tendência política para a conceptualização. A primeira querendo dizer que todos desejamos as mesmas coisas; a segunda atribuindo a cada uma um conteúdo que os "iluminados"definem e exibem perante as massas como bandeiras para a persecussão dos seus objetivos.

 

Poucas coisas me irritam tanto como ouvir um político, seja ele qual for, utilizar a formula "os portugueses" para expressar uma ideia que é a dele ou a de qualquer percentagem mais ou menos modesta dos que votaram nele ou no partido que representa.

Qualquer um, desde que para tal tenha sido nomeado, pode em determinadas circunstâncias representar um Povo. Mas ninguém pode honestamente - se tal ainda tem alguma importância...-falar em seu nome.

Talvez as "massas" não se importem - são na maioria acéfalas, como convém, e contentam-se com uns passeios de camioneta e uns bonés e "tixertes" (lembrarmo-nos nós que atribuiam esse procedimento censurável às manifestações do Estado Novo...) - mas muitos de nós sentem vergonha e revolta por serem assim arrebanhados sem consentimento prévio.

Custa-me ouvir o constrangedor líder socialista incluir-me nos seus pensamentos (!?), tal como me aborrece ouvir uma "menina pescadinha" ou um velhote careca e desdentado do BE arrebanhar-me para os seus repetitivos e sempre bem intecionados propósitos, ou uma daquelas arrebatadas deputadas que parecem ressuscitadas de gravuras da tomada da Bastilha, gritar e esbracejar em meu nome.  Talvez por eu não ser de esquerda e achar tão abusivo meterem-me nesses âmbitos ideológicos como me enfurece pensar que por não pensar como eles não sou português. É duro!

 

No momento presente assistimos a duas generalizações - entre outras... - que fazem parte de todo e qualquer discurso: a velhice e a juventude.

 Ambas resultam de critérios assaz voláteis, que se prendem com a idade da reforma (onde se incluem muitos ainda algo jovens, como é o caso, entre outros , da presidente da AR...) ,ou com um período que vai da adolescência aos trinta, idade em que os muito bem classificados iniciam as suas vidas profissionais , em que outros - se  tiverem a sorte de arranjar emprego - assentam numa profissão, e outros, pouco dados a monotonias, furam pela vida como testas de ferro de sabidos e bem colocados gerontes que têm as cabeças cheias de ideias  mas estão demasiado ocupados ou são por demais conhecidos para irem além de um ou outro comentário televisivo.

 

A verdade é que - tal como não há uma velhice - não há UMA JUVENTUDE. Existem várias juventudes e englobar todas num mesmo conceito é pecaminoso para quem o faz e ofensivo para as convicções dos visados.

 

A verdadeira Juventude - aquela que os nossos avós educavam para a Esperança, para o serviço à Pátria, para a continuidade da Família, herdeira da que emigrara ainda criança para o Brasil ou para África, que por lá andara até que regressasse para melhorar o seu país ou a sua aldeia, que reabilitara patrimónios através do casamento e proporcionara aos filhos esmerada educação - esvaiu-se nos ideais da "ética republicana". A esperança tornou-se imediata, a pátria um anacronismo dificilmente compreensível na unificação dos objetivos internacionais ( ainda assim reconhecendo as nações...), a família um desafio que obriga a conciliar uma série de variáveis não negligenciáveis segundo os atuais padrões.

 

Acresce que a dispersão social gerada pelos poderes quer pela política, quer pela profissionalização do desporto - que poderiam ser formas intelectual e fisicamente saudáveis de convívio -  surgem hoje como ferozes e incontroláveis antagonismos onde a política, na sua pior e mais mesquinha expressão, surge frequentemente associada aos clubes desportivos, criando "casos" em que as juventudes participam de formas irracionais ou mesmo  selvagens.

 

O fenómeno, como não podia deixar de ser, enquistou-se numa juventude estudantil, muitas vezes mais interessada no estatuto do que no estudo.

O que aconteceu no Meco  - que, diga-se, não tem que ver com praxes mas com quem as protagoniza - não foi em vão.

Com esse triste acontecimento o país foi obrigado a interrogar-se sobre o que é possível passar-se nas universidades. Ficámos a saber que o aluno que se matricule mais vezes - leia-se: que leve dez anos a fazer um curso de cinco, mas que por lá vá adquirindo qualidades de liderança não despiciendas para as juventudes partidárias - tem como prémio tornar-se  um líder todo poderoso a quem outros jovens, também eles universitários, obedecem cegamente.

Perguntamo-nos: que gente é esta que ingressa nas nossas universidades e sai de lá com um canudo que, com a little help from the friends,  lhe poderá dar acesso a uma bolsa que, se nas boas graças dos "barões" ou "viscondes" dos partidos, os guindará até à governança do país, munidos de falsos certificados que nós pagámos, pagamos ou pagaremos. 

 

A verdade é que, por ambição, por inércia, por escassez de tempo, estamos a consentir que se apossem dos nossos filhos e os transformem em criaturas violentas ou amorfas, que não sabem distinguir o que é bem e o que é mal.

 

Pior do que uma juventude imoral - como terá sido a juventude vitoriana - são estas juventudes amorais, cujo vazio se vai gradualmente disponibilizando para a aceitação do que quer que seja que uma criatividade doentia lhes dite ou que alguém lhes  proponha.

 

Os Gregos, na sua pura racionalidade, não contaminada por qualquer romantismo, consideravam como imperdoável o mal resultante da ignorância, o mal cujo objetivo único residia na sua prática. É disso que temos notícias todos os dias, vindas de todas as partes do mundo.

 

Felizmente, todos conhecemos jovens que não são assim! Jovens não tiranos ou servis, com consciências sólidas e mentes inteligentes.

 

A Igreja poderá - e deverá! - ter nisto um papel de extrema importância.

 

Para tanto é preciso que não se torne em quebra-cabeças para si própria, que  se assuma numa fé coesa, que se exprima num ambiente conciliatório em que, mais do que as vitórias do ecumenismo, se afirme o valor da consciência moral.

Uma Igreja dividida por antagonismos e recriminações dificilmente sairá vitoriosa face às varias organizações cuja coesão - alimentada por valores bem mais terrenos e efémeros mas habilmente sedutores - os atrai até à disponibilidade total, porque nada existe nas suas consciências que os interrogue.

 

  

publicado por petitprince às 20:20
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Quarta-feira, 14 de Agosto de 2013
ANTÓNIO BARRETO "O SÁBIO"

Poiares Maduro promoveu António Barreto a "sábio"honoris causa! 


Que madureza! 


Barreto é surpreendente! Desembarcou aqui vindo do exilio, como seu look  capiloso, voz cava, expressão dramaticamente camiliana e fama de pinga-amor, e rapidamente ingressou no governo para assumir a então intrincadíssima pasta da Agricultura. E não se saiu nada mal!


Não sendo jurista, agrónomo, geografo, etc., conseguiu assumir uma pasta que ninguém queria e deixar o seu nome ligado a uma lei que é um marco no desmontar do PREC. Grande parte do País ficou-lhe grato.


Ele, porém, não ficou a descansar em cima dos louros. Flanou pela política, tendo o cuidado de aparecer, tão discreto e sisudo quanto possível, em tudo quanto era comunicação social.


Vimo-lo em enormes cartazes de rua, na TV, nas entrevistas, nos comentários, sempre sem nunca se assumir como comentador oficial, o que lhe nublaria o almejado prestígio  que - gosta ele de pensar... - o conduzirá à candidatura à Presidência da República.


À volta desse projecto vem reunindo nomes, alguns bem maiores do que o dele, que vão abrilhantando os eventos promovidos pela Fundação que Fernando Manuel dos Santos - um bem sucedido homem de negócios- criou para ele nela presidir, para lhe publicar os enfadonhosissimos livros de estudos sociológicos que nos querem impingir nos supermercados Pingo Doce e que agora nos seguem de autocarro para que os possamos ler na praia.


 Não queremos!


A sociedade é um sistema evolutivo, a estatística uma ciência retardada nos dados e nas consequências, e Portugal há décadas que se dedica a fazer levantamentos que para nada têem servido.


Mas Fernando Manuel dos Santos paga feliz, em generoso mecenato, todo esse marketing.


 Que sorte Barreto tem!


E agora,last but not the least ,Maduro eleva-o à categoria de SÁBIO!


Parabéns Barreto! E boa viagem...

publicado por petitprince às 19:32
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Sábado, 20 de Julho de 2013
A IMOLAÇÃO DO CORDEIRO

António José Seguro terá sido, por inconsciência ou por receio, a grande vitíma do até agora último episódio saído do discernimento criativo do PR. Cavaco estava irritado com uma série de decisões que o ultrapassavam e decidiu mostrar - ou tentar mostrar - quem é que mandava e, simultaneamente, ganhar tempo. O pior é que o tempo que ele ganhou nas Selvagens foi o tempo que o País perdeu. 

Seguro foi apanhado por circunstâncias adversas que o empurraram para decisões para as quais ele não é vocacionada.

Seguro passou estes dois anos a fazer profissões de fé, insistindo em generalidades que não o comprometessem perante "os portugueses", comunidade em nome de quem todos os políticos têm a mania de falar, esquecidos da representatividade numérica dos resultados do partido no universo de votantes que, como sabemos, devido às abstenções e votos inválidos está longe dessa abusiva generalização. Incomoda-nos que nos incluam numa opinião que jamais seria a nossa. Esses "portugueses" a quem os líderes se dirigem em verdade não existem senão na cabeça deles.

Os portugueses reais estão imersos nas suas preocupações e dificilmente comprenderão que as suas pensões, os seus ordenados, os seus empregos, a já frágil estabilidade das suas vidas, fiquem comprometidos no imediato pela recusa do financiamento externo, devido ao facto do PS , na qualidade de um dos partidos do chamado "arco da governação"  -  sendo por isso considerado pelos credores imprescindível para validar os compromissos a longo prazo, ou seja, pelo tempo em que tivermos de ser financiados que tudo prevê seja longo...- recuse colaborar, pondo os interesses do partido à frente dos do País. Até porque Seguro sabe, através do falhanço de Holande, que nenhuma das benesses que promete serão exequiveis.

A recusa de Seguro foi, indiscutivelmente, boa para o PS que quer tudo menos ser governo numa altura destas. Mas não podia ser pior para Seguro! Com esta decisão, pela qual o partido o forçou a dar a cara, Seguro jamais será considerado pelos parceiros europeus, incluindo os socialistas, um parceiro consistente e não premiável a pressões.

 Acresce que dentro do PS, aguardando melhor oportunidade, Seguro tem fortes rivais que têm atrás de si figuras representativas do partido. Foi escolhido para ultrapassar esta fase com a dignidade possível, a visibilidade necessária ao PS e uma timida e conveniente adesão à esquerda sem hostilizar a direita.

António J. Seguro jamais será primeiro ministro. O PS usa-o mas mostra não ter por ele a necessária consideração. e, mais triste que tudo, ele deixa-se usar na esperança de uma recompensa que toda a gente sabe que nunca chegará.

É aliás evidente que o principal factor de manutenção do governo tem sido a oposição. Ninguém quer eleições porque toda a gente pressente que tudo ficaria na mesma, senão pior. O País não tem tempo, nem meios, nem energia, nem pachorra para mais experimentalismos.

 Seguro perdeu aquela que talvez tenha sido a última oportunidade de se afirmar como político. Tudo porque receou ofender os anciãos do partido, gente que já fez o seu tempo e parece disposta a falar para além da tumba.

 

publicado por petitprince às 23:31
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Sábado, 16 de Abril de 2011
ACONTECE - portugalingovernavel

ACONTECE

Na folha de rosto de o semanário "O Diabo", em Outubro de 2003, lê-se:



"ASSALTO ÀS FINANÇAS - 240 milhões de contos a arder

1,2 mil milhões de euros é o valor aproximado das dívidas dos contribuintes da região de Lisboa ao Fisco que constavam do terminal informático roubado às Finanças. Com processos à beira da prescrição, grande parte daquele valor é praticamente incobrável."



A ministra - leia-se: Manuela Ferreira Leite - terá respondido "telegraficamente", mas "O Diabo" diz saber que os 1,2 milhões de euros em causa corresponderiam apenas a "mais ou menos metade da dívida total (aproximadamente 2,1 milhões de euros) do País ao Fisco. Mas estes números podem vir a subir. (...) Aliás, toda a receita fiscal se encontra em forte quebra e o "buraco" só não é maior porque o chamado "perdão fiscal" decretado em finais do ano passado (2002) por Manuela Ferreira Leite vigorou até 9 de Janeiro deste ano (2003) e muitas empresas esperam pelo último dia para saldar as suas dívidas". Roubo "por muitos considerado cirúrgico", de um terminal que "continha os nomes dos contribuintes da região de Lisboa que devem acima de 100 mil contos ao Fisco".



Comentários : (pg.9 do mesmo semanário)



J.César das Neves: "Parece ser claramente um fenómeno de encobrir fugas ao Fisco, o objectivo do roubo não deixa grandes dúvidas"



Sarsefield Cabral: "É lamentável num País onde a fuga fiscal é tão grande"



Saldanha Sanches: o roubo "é uma reacção à tentativa de desmantelar redes de corrupção interna que têm funcionado impunemente com a conivência de funcionários"



Os "responsáveis dos serviços" diziam que "a tendência dos crimes fiscais é para aumentar, face ao cenário de crise em que o País continua teimosamente mergulhado"



Isto em 2003 com Cavaco ao leme e Manuela Ferreira Leite nas Finanças... ACONTECE

ACONTECE - portugalingovernavel

publicado por petitprince às 19:27
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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010
UM PAÍS DE INCONSCIENTES

Portugal é a vergonha da Europa! Um País onde qualquer ignoto fantoche consegue ascender a uma posição de poder e a quem não só é permitido usá-lo como se de um treinador de football se tratasse e em vez do País, da Banca e do risco de não haver com que pagar ordenados e pensões se tratasse de um campeonato de golf ou football. E, pior do que tudo, andam-lhe à volta uma série de mediocres - quem é e o que já fez por Portugal aquela gente??? - que o incentivam de um modo mais do que repugnante.

 

Angelo Correia, o "sponsor" de Passos Coelho, o entertainer de serviço. é um personagem... Consul honorário da Jordania. tem o seu campo negocial nos países árabes. A Europa, e o que dela venha,  não será propriamente a maior preocupação dele.

 

 Mas, acima de tudo, pressente-se que por ali anda o dedo de Cavaco secundado pelos seus enviados que dizem, desdizem, criam a confusão e os tabus. Interrogado, Cavaco limita-se a dizer que "estão criadas as condições...para um orçamento melhor". Equivale a dizer: "Esperem mais um bocadinho, sofram, que com a minha supervisão de economista laureado que tanto fiz como primeiro-ministro, tudo se resolverá...talvez". Para a semana ele falará. Para dizer o quê??

 

A não-notícia da recandidatura - que, obviamente, conhecendo-se a coragem de Marcelo e o caracter de Cavaco só pode ter ventilada com o consentimento, ou mesmo a sugestão deste último - dada ao País por um comentador no meio de uma entrevista não seria possível em qualquer outro País.  Só aqui onde a mediocridade subiu ao podium e as ervas crescem à volta.

 

Comparando o procedimento dos políticos portugueses com os dos outros países forçados pelas circunstâncias a adoptar medidas drásticas semelhantes, só nos resta chorar. Mais pela má qualidade desta malta que parasita a política do que pelas terríveis privações que aí vêm. Nem a dignidade nos resta! 

 

Onde estava esta gente quando Portugal era um País decente? Onde fomos nós buscá-los??? 

 

Custa-me aceitar que, mais uma vez, venhamos a ter que recorrer ao FMI! Seria uma vergonha se tal existisse neste clima execrável que se vive em Portugal.

publicado por petitprince às 21:50
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Terça-feira, 13 de Julho de 2010
A INTRANSPONÍVEL MURALHA

A Política portuguesa confronta-se com uma ameaçadoramente intransponível muralha geracional, um esquadrão de individuos que assentaram praça na política após o 25 de Abril e de moto próprio se constituiram como a elite a quem cabe governar o País.

 

Curiosamente, apesar dos pouco brilhantes resultados em que se diluiram centenas de toneladas de ouro, se escavacou a Agricultura e a Indústria, se abandalhou o Património, se auto-enriqueceram animadamente algumas luminárias e seus apaniguados, ELES aí continuam, umas vezes no palco outras vezes submersos em nebulosas tarefas, outras emergindo oportunamente para assegurar com o seu apoio que mude apenas o suficiente para que tudo fique na mesma.

 

A alguns já nos habituámos de tal modo a vê-los que é como se fizessem parte da família! A maior parte datam do curto mas profícuo consulado de Balsemão que, diga-se, muito tem contribuido com o seu apoio para os manter vivos na nossa memória. Outros há que são já reliquias do dealbar da democracia. Como gostamos de os ver, mesmo envelhecidos e tudo! E como nos são familiares os Amaral. os Horta, os Valente, os Roseta. os Soares, os Jerónimos e tantos os outros a que os nossos ouvidos se acostumaram ao longo de quatro décadas!

 

Porém, para os mais novos, para aqueles que procuram na Política uma oportunidade de contribuirem para um futuro que lhes pertence, essa densa muralha é um empecilho. Só fazem aquilo que sabem fazer - mal, como os resultados provam...- mas grudaram-se de tal forma à ideia de que o Estado são ELES, que ao primeiro sinal de ameaça saem das tocas como grilos.

 

E como estão velhos! E como estamos cansados de os ver e ouvir! Até o Honório Novo está velho!

 

Freitas, um sempre disponível apoiante de alguém, reapareceu! Prazer em vê-lo, Professor!

Sampaio fez também a sua reaparição de uma forma curiosa e original: apoia Alegre mas acha que Cavaco é o indicado... Agradecido, ele decerto os apoiará numa eventual futura candidatura. Nunca serão suficientemente idosos.

 

Muito esforço terão que desenvolver os mais novos se não estiverem dispostos a venderem-se à solidariedade geracional que une tais vitalícias personalidades!

 

O problema de Socrates não reside apenas na discutibilidade das suas decisões. O seu maior problema é não ter pelo menos sessenta anos! Se tivesse setenta melhor ainda! Era dos d'ELES! E o mesmo se evidencia já em relação a Passos Coelho. Temos sempre a sensação de que há alguém a proteger a retaguarda. Mesmo pondo de parte as categóricas asserções do chamado "Amendoin Falante"...

 

 

 

 

sinto-me: FARTO!
publicado por petitprince às 16:14
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