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Terça-feira, 22 de Julho de 2014
A VIDA

Uma das coisas estimulantes da vida é que não pára de nos surpreender! Umas vezes, para o bem ou para o mal, surpreendemo-nos a nós mesmos, outras surpreendemo-nos como se não fizessemos parte dela e a vissemos do lado de fora, como se estivessemos fora do Tempo, a vê-lo desbobinar-se sem dó nem piedade pelos pobres mortais que só arranjam tempo para descobrirem que não são imortais quando um mal os ataca de frente ou vão fazer um checkup antes de partirem para a viagem da vida deles, e descobrem que estavam enganados, julgando-se com saúde para escalar o Everest, e só  se submetiam aos exames ditos "de rotina" para irem comnpletamente descansados. Pode então acontecer já não se fazer a viagem . Os meios de diagnóstico, investimentos caríssimos e sofisticadíssimos, capazes de descobrirem os mais recônditos problemas mas que evoluem, ao que parece. muito mais rapidamente do que os meios terapeuticos para lhes acudir (que me desculpe o ilustre bastonário da Ordem dos Médicos...) e aí começa-se a olhar de fora para dentro, com a mente empenhada na moderna exigência de que os doentes "devem" assumir a doença e mostrar ao mundo que homem doente é igualzinho a homem com saúde...só que está doente!

Trata-se , quanto a mim, de uma moda relativamente recente ,que tem mais que ver com o culto da imagem do que com a sensibilidade social perante a doença.

Não creio que haja estado de alma que mereça mais o respeito do outro do que essa desfuncionalidade que a doença é.

Respeito pelas dúvidas que suscita, pelo que se abandona antes de terminar, pelo incontável, inenarrável, turbilhão de estados de espírito que suscita. Sinto-me mal quando oiço dizer, à guisa de consolação, às pessoas piedosas e tementes a Deus, que "é a vontade de Deus". "todos devemos estar preparados para isso", "Deus leva primeiro os melhores" e outras frases que, como tantas, se repetem como  contas de rosários.

É óbvio que a doença não existe em desobediência a Deus! São paragens. por vezes bem dolorosas, que Deus impõe nas nossas vidas para nos lembrar que não somos imortais, que tudo o que Ele criou fenece e se renova.

E quantas vezes, naquele invólcro pleno de sensibilidades e sentimentos que somos, o que parece fenecer ou não querer ser vida, ganha dentro de nós um sereno élan, um confidenciar permanente com Deus que, estando atento, não exige nada de nós. Não exige que sejamos fortes, que à nossa volta só se exibam sorrisos dolorosos como lágrimas, que escrevamos livros exemplares - como se todos vívessemos, ou tivessemos obrigação, de viver a doença de forma igual ou sequer parecida! -, que mostremos que a doença nos surpreendeu mas não nos abateu, embora saibamos que isso seja o ideal.

Mas o doloroso erguer é um tempo feito de vários tempos díspares em que a Esperança alterna com o desânimo que o cansaço provoca. No princípio. quando o estado do doente ainda não se afastou muito do nosso, podemos sugerir-lhe que matenha o seu ritmo de vida. Mas só por muito pouco tempo!

A doença grave, passageira ou mortal, é o estado mais íntimo que o ser humano necessita ver respeitado. É um diálogo permanente entre ele e o Criador que quer ver respeitado o lugar onde ambos se identificam na oportunidade que foi a vida e no acolhimento que representam quer a cura, quer a morte.

Ninguém é o mesmo depois de ter passado por certos acontecimentos com que a vida nos surpreende. Mas nada merece tanto respeito como alguém que acarta num corpo dolorido um turbilhão de sentimentos que não sabe nem acha que valha a pena exprimir - quem compreenderia! - e que é forçado, mais por esta moda estúpida que se criou de fazer deles figuras exemplares - como só  isso seja do agrado de Deus...-  de os vermos como heróis combatentes de uma guerra que desconhecemos.

Creio, porque era o que gostaria para mim, que nada favorece mais o bom desenrolar de um mau estado de saúde do que a paz. a frescura carinhosa da mão que se estende mas não prende, o sorriso passageiro que não ultrapasse o que desejamos nos seja retribuido, as pausas controladas que só o próprio conhece, o ajoelhar, não de quem reza mas de quem, em nome do mundo, tudo perdoa. O colo que recebemos ao nascer! E sermos capazes de com eles esquecermos o tempo. o tempo que a doença preenche com medicação, fisio ou quimio terapias, as descofortáveis horas de espera em que, no meio de muitos, cada um de nós é o mais só dos mortais .E que Deus, que nunca nos abandona, nos vá ensinando como fazê-lo. Porque, na verdade,  só Ele o sabe... 

sinto-me: grata pela saúde que tenho!
música: "What a beautifull world!" I had the opportunity to live in
publicado por petitprince às 02:00
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Terça-feira, 13 de Maio de 2014
IL GATTOPARDO

Dei com um blog super divertido! Há pessoas que conseguem estar em toda a parte. Até mesmo onde devem estar! 

 

O dito blogg trouxe-me à lembrança "o Leopardo", o belíssimo filme de Visconti sobre o fim de uma época e o olhar de um nobre siciliano que contempla com a atenta sensibilidade o ruir de um mundo que se povoa de aventureiros e arrivistas prontos a dominar o futuro... que acabaram dominando definitivamente.

A história passa-se na Sicilia, em Lampedusa, a ilha hoje conhecida como ponto de entrada de imigrantes que rumam à Europa. 

O pó dos tempos que se acumulava no velho palácio, a poeira que cavalos e carruagens deixavam no ar, a secura e rigidez dos usos, o  prazer furtivo da prevaricação, as suaves passadas de Don Fabricio e o seu olhar de prisioneiro perdido entre a dimensão do passado e a urgência do futuro, tudo isso um vento forte apagou da ilha onde a miséria se instala ameaçadora. E toda a história da Europa parece caber ali. Como uma ameaça.

publicado por petitprince às 21:30
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Sábado, 20 de Julho de 2013
A IMOLAÇÃO DO CORDEIRO

António José Seguro terá sido, por inconsciência ou por receio, a grande vitíma do até agora último episódio saído do discernimento criativo do PR. Cavaco estava irritado com uma série de decisões que o ultrapassavam e decidiu mostrar - ou tentar mostrar - quem é que mandava e, simultaneamente, ganhar tempo. O pior é que o tempo que ele ganhou nas Selvagens foi o tempo que o País perdeu. 

Seguro foi apanhado por circunstâncias adversas que o empurraram para decisões para as quais ele não é vocacionada.

Seguro passou estes dois anos a fazer profissões de fé, insistindo em generalidades que não o comprometessem perante "os portugueses", comunidade em nome de quem todos os políticos têm a mania de falar, esquecidos da representatividade numérica dos resultados do partido no universo de votantes que, como sabemos, devido às abstenções e votos inválidos está longe dessa abusiva generalização. Incomoda-nos que nos incluam numa opinião que jamais seria a nossa. Esses "portugueses" a quem os líderes se dirigem em verdade não existem senão na cabeça deles.

Os portugueses reais estão imersos nas suas preocupações e dificilmente comprenderão que as suas pensões, os seus ordenados, os seus empregos, a já frágil estabilidade das suas vidas, fiquem comprometidos no imediato pela recusa do financiamento externo, devido ao facto do PS , na qualidade de um dos partidos do chamado "arco da governação"  -  sendo por isso considerado pelos credores imprescindível para validar os compromissos a longo prazo, ou seja, pelo tempo em que tivermos de ser financiados que tudo prevê seja longo...- recuse colaborar, pondo os interesses do partido à frente dos do País. Até porque Seguro sabe, através do falhanço de Holande, que nenhuma das benesses que promete serão exequiveis.

A recusa de Seguro foi, indiscutivelmente, boa para o PS que quer tudo menos ser governo numa altura destas. Mas não podia ser pior para Seguro! Com esta decisão, pela qual o partido o forçou a dar a cara, Seguro jamais será considerado pelos parceiros europeus, incluindo os socialistas, um parceiro consistente e não premiável a pressões.

 Acresce que dentro do PS, aguardando melhor oportunidade, Seguro tem fortes rivais que têm atrás de si figuras representativas do partido. Foi escolhido para ultrapassar esta fase com a dignidade possível, a visibilidade necessária ao PS e uma timida e conveniente adesão à esquerda sem hostilizar a direita.

António J. Seguro jamais será primeiro ministro. O PS usa-o mas mostra não ter por ele a necessária consideração. e, mais triste que tudo, ele deixa-se usar na esperança de uma recompensa que toda a gente sabe que nunca chegará.

É aliás evidente que o principal factor de manutenção do governo tem sido a oposição. Ninguém quer eleições porque toda a gente pressente que tudo ficaria na mesma, senão pior. O País não tem tempo, nem meios, nem energia, nem pachorra para mais experimentalismos.

 Seguro perdeu aquela que talvez tenha sido a última oportunidade de se afirmar como político. Tudo porque receou ofender os anciãos do partido, gente que já fez o seu tempo e parece disposta a falar para além da tumba.

 

publicado por petitprince às 23:31
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