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Terça-feira, 29 de Julho de 2014
DR. JEKYLL AND MR. HYDE

Não imagino quantas pessoas terão visto "Dr. Jekyll and Mr. Hyde", um filme classificado como um dos mais célebres filmes de terror de uma série que fez sucesso nos anos trinta do século passado e que incluiu filmes como "As Máscaras de Cera", entre outros do mesmo tipo.

O argumento era do escritor Robert L. Stevenson e versava sobre a dupla personalidade de um médico, o Dr. Jekyll, pessoa muito admirada pela sua inteligência e considerada pela sua bondade, que descobre uma droga capaz de lhe dar o poder e o atrevimento para fazer coisas que, não ultrapassando, obviamente, as capacidades humanas, o desinibe moralmente de qualquer obstáculo que limitasse a satisfação dos seus desejos ou o impedisse de qualquer procedimento que atentasse contra a dignidade ou a vida de quem quer que se pusesse no seu caminho.

Pelo meio de tudo isto há um "romance de amor" - se de amor se pode falar no meio de todo aquele enredo diabólico - em que ele, como Hyde, acaba por matar  rapariga objecto do seu amor, que só nesse derradeiro encontro se apercebe que Jekyll e Hyde eram uma e a mesma pessoa, a primeira encarnando o Bem, a segunda o Mal, que conflituam dentro da mesma pessoa, que nessa altura já tinha perdido o controlo da situação. O Mal sobrepõe-se e o doce e afável sorriso de Mr. Jekill e os seus estudados silêncios, somem-se sob o ira descontrolada e sanguinária de Hyde.

Trata-se de um filme horrível, magistralmente interpretado por Frederic March, um dos grandes actores da época que. contráriamente ao que se sabe sobre a vida dele, nada tinha que ver com este tipo de personagens de dupla personalidade, que encarnou  por diversas vezes e de que "Dr. Jekyl e Mr. Hyde" foi o expoente máxino, tendo-lhe mesmo valido um Oscar.

Stevenson, por seu lado, ficou mais conhecido, felizmente, pelos seus livros de viagens do que por esta obra. Tinha nascido numa família de extrema e exigente prática religiosa, tão extrema que o levou para longe da família e, contra a vontade dos pais que o queriam doutor em Leis, formou-se em Engenharia, casou com uma mulher dez anos mais velha, viajou pelo mundo e, por fim, também segundo o uso da época, morreu tuberculoso aos 44 anos.

Na mencionada obra, o testemunho sobre a coexisência do Bem e do Mal no interior do Homem surgiu, talvez pela primeira vez, como a diabólica capacidade de ser o próprio a testar as suas capacidades num e noutro campo, distinguindo-as claramente  e nunca as confundindo. Jekyl é o opositor de Hyde e, nessa luta cuidadosamente vivida e preparada por ele próprio no interior de si mesmo, inclusive na caracterização de cada umas das personagens em que se expõe, ele sabe que, seja qual for o lado em que se coloque será sempre ele o vencedor. Ou ganhará o Bem, Jekyll, ou vencerá Hyde. Por fim, saem ambos derrotados! O Bem não se cumpre, o Mal, exposto como mal, não tira dali qualquer vantagem. Concordemos que se trata de um final de difícil concepção...  Diria mesmo: tanta coisa para NADA!

 

publicado por petitprince às 18:00
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Terça-feira, 22 de Julho de 2014
A VIDA

Uma das coisas estimulantes da vida é que não pára de nos surpreender! Umas vezes, para o bem ou para o mal, surpreendemo-nos a nós mesmos, outras surpreendemo-nos como se não fizessemos parte dela e a vissemos do lado de fora, como se estivessemos fora do Tempo, a vê-lo desbobinar-se sem dó nem piedade pelos pobres mortais que só arranjam tempo para descobrirem que não são imortais quando um mal os ataca de frente ou vão fazer um checkup antes de partirem para a viagem da vida deles, e descobrem que estavam enganados, julgando-se com saúde para escalar o Everest, e só  se submetiam aos exames ditos "de rotina" para irem comnpletamente descansados. Pode então acontecer já não se fazer a viagem . Os meios de diagnóstico, investimentos caríssimos e sofisticadíssimos, capazes de descobrirem os mais recônditos problemas mas que evoluem, ao que parece. muito mais rapidamente do que os meios terapeuticos para lhes acudir (que me desculpe o ilustre bastonário da Ordem dos Médicos...) e aí começa-se a olhar de fora para dentro, com a mente empenhada na moderna exigência de que os doentes "devem" assumir a doença e mostrar ao mundo que homem doente é igualzinho a homem com saúde...só que está doente!

Trata-se , quanto a mim, de uma moda relativamente recente ,que tem mais que ver com o culto da imagem do que com a sensibilidade social perante a doença.

Não creio que haja estado de alma que mereça mais o respeito do outro do que essa desfuncionalidade que a doença é.

Respeito pelas dúvidas que suscita, pelo que se abandona antes de terminar, pelo incontável, inenarrável, turbilhão de estados de espírito que suscita. Sinto-me mal quando oiço dizer, à guisa de consolação, às pessoas piedosas e tementes a Deus, que "é a vontade de Deus". "todos devemos estar preparados para isso", "Deus leva primeiro os melhores" e outras frases que, como tantas, se repetem como  contas de rosários.

É óbvio que a doença não existe em desobediência a Deus! São paragens. por vezes bem dolorosas, que Deus impõe nas nossas vidas para nos lembrar que não somos imortais, que tudo o que Ele criou fenece e se renova.

E quantas vezes, naquele invólcro pleno de sensibilidades e sentimentos que somos, o que parece fenecer ou não querer ser vida, ganha dentro de nós um sereno élan, um confidenciar permanente com Deus que, estando atento, não exige nada de nós. Não exige que sejamos fortes, que à nossa volta só se exibam sorrisos dolorosos como lágrimas, que escrevamos livros exemplares - como se todos vívessemos, ou tivessemos obrigação, de viver a doença de forma igual ou sequer parecida! -, que mostremos que a doença nos surpreendeu mas não nos abateu, embora saibamos que isso seja o ideal.

Mas o doloroso erguer é um tempo feito de vários tempos díspares em que a Esperança alterna com o desânimo que o cansaço provoca. No princípio. quando o estado do doente ainda não se afastou muito do nosso, podemos sugerir-lhe que matenha o seu ritmo de vida. Mas só por muito pouco tempo!

A doença grave, passageira ou mortal, é o estado mais íntimo que o ser humano necessita ver respeitado. É um diálogo permanente entre ele e o Criador que quer ver respeitado o lugar onde ambos se identificam na oportunidade que foi a vida e no acolhimento que representam quer a cura, quer a morte.

Ninguém é o mesmo depois de ter passado por certos acontecimentos com que a vida nos surpreende. Mas nada merece tanto respeito como alguém que acarta num corpo dolorido um turbilhão de sentimentos que não sabe nem acha que valha a pena exprimir - quem compreenderia! - e que é forçado, mais por esta moda estúpida que se criou de fazer deles figuras exemplares - como só  isso seja do agrado de Deus...-  de os vermos como heróis combatentes de uma guerra que desconhecemos.

Creio, porque era o que gostaria para mim, que nada favorece mais o bom desenrolar de um mau estado de saúde do que a paz. a frescura carinhosa da mão que se estende mas não prende, o sorriso passageiro que não ultrapasse o que desejamos nos seja retribuido, as pausas controladas que só o próprio conhece, o ajoelhar, não de quem reza mas de quem, em nome do mundo, tudo perdoa. O colo que recebemos ao nascer! E sermos capazes de com eles esquecermos o tempo. o tempo que a doença preenche com medicação, fisio ou quimio terapias, as descofortáveis horas de espera em que, no meio de muitos, cada um de nós é o mais só dos mortais .E que Deus, que nunca nos abandona, nos vá ensinando como fazê-lo. Porque, na verdade,  só Ele o sabe... 

sinto-me: grata pela saúde que tenho!
música: "What a beautifull world!" I had the opportunity to live in
publicado por petitprince às 02:00
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Domingo, 25 de Maio de 2014
LES LIAISONS DANGEREUSES

Escrever é um enorme risco! Não o escrever notícias, artigos ou romances. Escrever cartas! A literatura epistolar é não só extremamente pessoal como extremamente cúmplice. Do outro lado, perscrutando a intimidade de quem escreve, tanto pode estar o leitor eleito como um grupo de estudiosos prontos a encontrar intencionalidades ou analisar personalidades. Escrever tanto pode ser um acto de confiança como um acto de irresponsabilidade.

A maioria das pessoas prudentes, as que recusam assumir riscos - embora por vezes assumam riscos incomensuravelmente maiores em outros actos - não escrevem, ou fazem-no sem se denunciarem, através de códigos de escrita sem dono e sem destinatário.

Dizia Pessoa - de quem aprecio alguma poesia mas que me enfada como a pessoa que se descortina depois no "Livro do Desassossego" -  que "as cartas de amor são sempre ridículas". Eram-no especialmente para ele que as escrevia por tédio como, aliás, fazia tudo. As "boas" cartas de amor são aquelas que contam coisas, que são memórias ou diários de vida entre gente que se quer bem e que se entende. Cartas que nos fazem rir, chorar, que nos irritam, que nos desgostam, que perdoamos, que aguardamos, que temos urgência em ver chegar e em responder. As outras, as que surgem como xaradas que há que subentender, que podem ter interpretações diversas, conduzem a jogos extremamente perigosos, ainda quando calculados.  

Choderlos de Laclos, em "As Ligações Perigosas", mostra até que ponto o jogo pode ser estimulante e poderoso. Basta que haja um terceiro - no caso, três é multidão- para que se urda uma imensa teia de divagações de conteúdo.

Contudo, "viver é risco" e escrever para quem não inspira confiança pode ser igualmente estimulante para ambos os lados.  

Um jogo do espírito que se prolonga sem que haja vencedor ou vencido. Que nem sequer interfere com sentimentos. Não mais do que um modo de viver uma relação que, como as crianças, desejamos ver como funciona. 

publicado por petitprince às 23:05
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Terça-feira, 13 de Maio de 2014
IL GATTOPARDO

Dei com um blog super divertido! Há pessoas que conseguem estar em toda a parte. Até mesmo onde devem estar! 

 

O dito blogg trouxe-me à lembrança "o Leopardo", o belíssimo filme de Visconti sobre o fim de uma época e o olhar de um nobre siciliano que contempla com a atenta sensibilidade o ruir de um mundo que se povoa de aventureiros e arrivistas prontos a dominar o futuro... que acabaram dominando definitivamente.

A história passa-se na Sicilia, em Lampedusa, a ilha hoje conhecida como ponto de entrada de imigrantes que rumam à Europa. 

O pó dos tempos que se acumulava no velho palácio, a poeira que cavalos e carruagens deixavam no ar, a secura e rigidez dos usos, o  prazer furtivo da prevaricação, as suaves passadas de Don Fabricio e o seu olhar de prisioneiro perdido entre a dimensão do passado e a urgência do futuro, tudo isso um vento forte apagou da ilha onde a miséria se instala ameaçadora. E toda a história da Europa parece caber ali. Como uma ameaça.

publicado por petitprince às 21:30
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Quarta-feira, 16 de Abril de 2014
COMMONWEALTH vrs EUROPA

A Inglaterra, que ganhou consciência do seu lugar no mundo na época vitoriana, quando o sol nunca se punha sobre o império britânico, nunca deixa o seu crédito por mãos alheias.

Qualquer que seja a crise, a Commonwealth é de imediato alertada para as potencialidades desse império que se continua na Língua e na cultura britânicas e se fortalece e enriquece numa teia diplomática que só mesmo os ingleses dominam.

É curioso notar como perante a desastrada queda dos dollars a libra tem mantido a sua supremacia em relação ao euro!

Com um pé na Europa, o "coração" espalhado pelo mundo, e o não despiciendo dever de gratidão da alta finança apatrida, a Inglaterra consegue, numa época que parece convocada para a destruição e avessa a tradicionalismos, manter coesa à volta de Sua Majestade a Rainha uma unidade em que o pragmatismo ultrapassa antigos ressentimentos.

 

Com o seu inegualável sentido mundo e das suas circunstâncias, a Inglaterra, a democrática Inglaterra, sabe sempre o que lhe convém a si e aos membros da sua extensa comunidade.

Enquanto a Europa (de que faz parte às vezes...) se autopune de toda a espécie de torpezas cometidas no passado e no presente, e se afoga em miragens de salvíficas, guiada por eventuais timoneiros e  por uma irreprimível tendência para a desagragação, a diplomacia britânica exibe ao mundo o seu bom entendimento com a Escócia e a Irlanda, a Raínha e restantes membros da Família Real visitam os países membros da Commonwealth e, "last but not the least", procede-se a uma espécie de inquérito intercomunitário visando conhecer e decerto avivar o sentido de pertença que essas comunidades revelam relativamente à Commonwealth.

Tudo isto é sublimemente vivido nos grandes cerimoniais da corte, na partilha que através da comunicação social o mundo vive os acontecimentos familiares dos personagens reais. O mesmo se passa com a Igreja Anglicana, exibindo a ricos e pobres a grandiosidade que acha ser devida quando a Deus se dirige, sem que por isso deixe de ter imensas obras caritativas. Mas é um mundo onde tudo, bem e mal, é elegantemente discreto. 

Com todos os defeitos que lhe possamos apontar, a Inglaterra foi um colonizador ímpar e como tal reconhecido pelos povos dos territórios  que dominou, criando laços de dependência e riqueza que persistem. O inverso do que aconteceu com o império português em tudo foi desperdiçado, desde a iniciativa e os trabalhos dos que de um ou outro modo se empenharam na sua construção, até à precipitada descolonização que sacrificou os milhares de famílias a deixarem para trás as suas vidas para "retornarem" a uma metrópole onde muitos deles nunca tinha estado, que deixou que o sangue e a fúria se espalhassem  ao sabor do caos, nos territórios precipitadamente abandonados, que obrigou um pequeno país a integrar uma multidão de pessoas espoliadas que tiveram que recomeçar as suas vidas. Muito daquilo de que nos queixamos hoje, uns e outros, começou aí.

 

Os ingleses não precisam da Europa. Têm um pé em Gibraltar e, apesar de tudo, uma afinidade histórica com a Grécia que lhes garante vigilância atlântica.

Enquanto a Europa caminha sombriamente para um destino incerto, a Inglaterra partilha e celebra a sua grandeza.  

 

publicado por petitprince às 00:06
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